O homem

      

     Ao contrário da crença dos leigos, temos muito em comum com os primatas antropóides. 
     As semelhanças ultrapassam o campo biológico e se misturam com o comportamento. E, assim, toda a nossa sociedade tem elementos básicos de sustentação que existem nos agrupamentos dos antropóides, principalmente nas comunidades de chimpanzés.
     Por isso muitos antropólogos do mundo inteiro baseiam-se nos estudos dos primatas antropóides para tentar especular a razão e as origens de todo o comportamento humano. Principalmente na tentativa de datar a origem dos fundamentos comportamentais básicos, que dão sustentação, de nossa sociedade: A família, as lutas e as guerras.
     Sendo esses três fatores (família, lutas e guerras), para qualquer sociedade humana, sem nenhuma exceção, são as bases de sustentação. Ou seja sem eles não existem sociedade humana. 
     Partindo então desse ponto principal, os antropólogos tentam datar esses três itens através da existência de cada um nos antropóides, sendo que a origem estaria no início da espécie. Por isso é imprescindível saber as datações das origens das cinco espécie de grandes primatas existentes hoje.

     Voltamos então a aproximadamente a 20 milhões de anos atrás.  Quando nas florestas africanas existia um símio chamado Dryopithecus. Esse, provavelmente, tinha uma tacha de natalidade muita alta e rapidamente se espalhou por todo o continente, ocupando diversos habitats. 
     Logo os Dryopithecus dividiram-se em duas linhagens, uma foi viver nas florestas habitadas por grandes felinos, e sua única chance de sobreviverem era adaptar-se ainda mais ao ambiente arborícola. Daí vem a origem de dos orangotangos e dos gibões. Já a outra linhagem de Dryopithecus continuou nas florestas "tranqüilas" e novamente, por volta de 10 a  7 milhões de anos, espalhou-se por toda a áfrica dando origem a diversas espécies de primatas, entre elas o Ramapithecus, Gigantopithecus (um "gorila" de três metros de altura) e o famoso Gorila.
     Milhões de anos se passaram, e, a cinco ou quatro  milhões de anos atrás, veio a penúltima separação dos Dryopithecus (que nessa altura já não eram Dryopithecus, e sim um ancestral que não se sabe o nome): Uma linhagem deu origem aos chimpanzés e outra aos homo sapiens e a homens de neandertal que foram extintos por nós.
     

Depois dessa rápida explanação, passamos então a analisar os três itens básico de nossa sociedade:


     1 - Família:
     Entre nosso objetos de estudo parece haver um certo tipo de evolução, paralela a evolução darwinista, na estrutura familiar.
     Os orangotangos seriam a primeira escala dessa suposta evolução onde pais e filhos possuem um período relativamente, comparando como os outros, pequeno de relacionamento.
     Já os gorilas, os laços entre os indivíduos básicos da família (pais e filhos) são duradouros até a morte. Geralmente, mesmo sendo o pai gorila autoritário em relação a educação de seus filhotes, o filho depois de adulto sempre está pronto a arriscar a própria vida para salvar os pais. Entretanto, nos gorilas não existe um relacionamento entre as figuras secundárias da família. tais como irmãos, avós, tios(as) e sobrinhos(as). 
     Passamos então aos humanos, chimpanzés e bonobos. 
     Mesmo não tendo pai, os chimpanzés possuem um relacionamento muito estreito e de confiança entre todas as figuras da família. Mães, tios, filhos, avós, irmãos, sempre estão prontos e prestativos a dar ajuda preferencialmente a seus parentes. 
     O fato de não existir pai na família chimpanzé não faz com que esse animal fique rebaixado na nossa suposta escala da estrutura familiar. Isso por que os laços de lealdade entre eles são mais fortes que as do ser humano. Não registro, por exemplo, de um irmão chimpanzé trair outro. 
     A inexistência do pai chimpanzé é devida uma tática da fêmea: Essa cruza com o número máximo de machos afim de que seu filhote, no futuro, tenha a proteção de todos os adultos.
     Já os bonobos possuem pai, mas como o ser humano, parece haver uma redução da lealdade entre os familiares.
    
     Dentre essa escala da estrutura familiar, podemos datar como sendo a sete milhões de anos atrás o surgimento da família. Pois pegamos o gorila como referencia, já que é nessa espécie que vemos a primeira demonstração de mantimento, durante toda a vida, de laços familiares.


     2 - Lutas entre machos:
     Como já foi dito na parte "política interna" desse site, existe duas formas e objetivos da luta entre machos nas espécies de mamíferos. A primeira é a luta individual entre machos de um mesmo grupo para obterem fêmeas. E a segunda, onde está incluído o homem, é a luta pelo poder.
     Os orangotangos e gorilas seguem a luta individual pela conquista de fêmeas. Já os chimpanzés  e os bonobos seguem o padrão "humano" da busca pelo poder. E esses animais, principalmente o chimpanzé, fazem diversas alianças e jogo político para depor seus oponentes do poder (veja na sessão política interna).
     Assim dividimos o todo o reino animal em duas facções: A primeira inclui a grande maioria onde machos (ou fêmeas em alguns casos) lutam individualmente por privilégios sexuais. A segunda, incorporando apenas o chimpanzé, bonobo é o homem, é a luta pelo poder, envolvendo alianças e tramas políticas.


     3 - As guerras
     Também, como já foi esclarecido nesse site, na parte "política externa", apenas o chimpanzé, além do homem, possui esse tipo de comportamento. E daí podemos tirar vários paralelos das duas formas de guerras (as humanas e as dos nossos primos, que na verdade são irmãos genéticos, os chimpanzés).
      A começar que a guerra humana e as dos chimpanzés, em 95% dos casos, apesar das desculpas altruístas no caso humano, tem como objetivo a busca de territórios ricos em recursos. 
     
     O mais curioso é o extremo xenofobismo (que também é a expressão do nacionalismo) nessas guerras:
     No caso clássico da segunda guerra mundial o xenofobismo foi usado para desumanizar os inimigos. Assim destruiu-se uma barreira mental, permitindo os crimes de guerra. É desse modo que vemos no ideário nazista a desumanização de todos os seres humanos que não fossem arianos germânicos. Certo planfeto da SS nazista dizia: "O ser inferior semita, com sua boca, olhos e nariz que parecem pertencer a espécie humana (...)"
     Com a desumanização é permitido então que se faça com o inimigo o que não se faz com um dos seus.
     Também, as pesquisas em Gombe de Jane Goodall, revelaram que há uma xenofobia que "deschimpanzéia" os indivíduos inimigos. Pois os padrões de violência entre os chimpanzés de uma mesma comunidade são bem diferentes dos entre comunidades.
     A violência entre indivíduos de uma mesma comunidade geralmente não provocam ferimentos profundos e nunca a morte. Já no ataque a chimpanzés de comunidades rivais a violência chega ao extremo de torções de membros, arrancamento de pele e etc.



     O chimpanzé.
     É obvio que dentre todos os antropóides existentes , o chimpanzé é o mais parecido, em comportamento, com o homem.
     Os estudos em Gombe demonstraram que falta apenas ao chimpanzé a linguagem sofisticada para ter todos os atributos do homem. Pois só com essa "ferramenta" nós, seres humanos, pudermos reter o conhecimento e assim se aperfeiçoar.
     Já os chimpanzés, com a capacidade de inventar, conhecer, lutar pelo poder, fazer alianças, guerrear, serem altruístas, e etc. Não possuindo a linguagem sofisticada, um ser não consegue transmitir seus conhecimentos a outras gerações. Daí tudo deve ser reconstruído e por isso o chimpanzé fica preso no limiar da capacidade de aperfeiçoar-se, fazendo tudo que o ser humano faz, só que de maneira simplificada.